x.
apaga.te. quando já não conseguires morar no lugar onde estás. quando já não tiveres desculpas para pedir. apaga.te. quando estiveres cansado de desculpar. quando a noite já estiver deitada sobre a ombreira da porta. do lugar onde moras. aquele lugar que te esgota. apaga.te. quando olhares nas paredes. todos os poemas sentados na tua cabeça. quando já não sentires a dormência dos dedos. sobre a folha de papel. a escrever cartas. para o lugar. cinzento do mar. apaga.te. se a cor da tua pele. esconder a palidez do sangue que te corre nas veias. e que brota do esqueleto vivo. do teu coração frio. apaga.te. se estiver tudo calmo naquele dia. de sexta.feira. a tornar inúteis todos os outros dias. de cansaço. todos os outros dias onde trabalhaste as mãos. no barro. e na terra. no lugar. cinzento do mar. a cama gelada que dormimos. apaga.te. se não sentires frio. e o giz que desenhaste na ardósia das tuas costas. falar sobre o amor. que deixaste no esquecimento. de ti. quando te apagaste. a luz. de ti. a cor. de ti. o negro de ti. a frieza de ti. a loucura. de ti e o nunca de ti. e a paixão de ti. sobre a carne tocada. apaga.te. se não souberes o significado das coisas mortas. e porque partem para dentro. delas. a voz. o suor. a saliva. a boca e o beijo. a dor. e a eternidade do corpo. que fica. no lugar cinzento do mar.
e o não. que não se sabe dizer. e a boca que não se sabe falar. e as pernas que não se sabem mexer. e andar. sobre o xisto que nasce da terra. sobre o cinzento. que já não há no lugar do mar.
x. de xisto.
apaga.te. quando já não conseguires morar no lugar onde estás. quando já não tiveres desculpas para pedir. apaga.te. quando estiveres cansado de desculpar. quando a noite já estiver deitada sobre a ombreira da porta. do lugar onde moras. aquele lugar que te esgota. apaga.te. quando olhares nas paredes. todos os poemas sentados na tua cabeça. quando já não sentires a dormência dos dedos. sobre a folha de papel. a escrever cartas. para o lugar. cinzento do mar. apaga.te. se a cor da tua pele. esconder a palidez do sangue que te corre nas veias. e que brota do esqueleto vivo. do teu coração frio. apaga.te. se estiver tudo calmo naquele dia. de sexta.feira. a tornar inúteis todos os outros dias. de cansaço. todos os outros dias onde trabalhaste as mãos. no barro. e na terra. no lugar. cinzento do mar. a cama gelada que dormimos. apaga.te. se não sentires frio. e o giz que desenhaste na ardósia das tuas costas. falar sobre o amor. que deixaste no esquecimento. de ti. quando te apagaste. a luz. de ti. a cor. de ti. o negro de ti. a frieza de ti. a loucura. de ti e o nunca de ti. e a paixão de ti. sobre a carne tocada. apaga.te. se não souberes o significado das coisas mortas. e porque partem para dentro. delas. a voz. o suor. a saliva. a boca e o beijo. a dor. e a eternidade do corpo. que fica. no lugar cinzento do mar.
e o não. que não se sabe dizer. e a boca que não se sabe falar. e as pernas que não se sabem mexer. e andar. sobre o xisto que nasce da terra. sobre o cinzento. que já não há no lugar do mar.
x. de xisto.

9 Comments:
Estas palavras como o xisto...quente e vivo. Sente-se o pulsar quando se tacteiam as lajes duras. Também elas vivem, sem corpo, em silêncio.
Elisabete Neves
Meu amigo este abraço não se apaga...
abraço
Luís Coutinho
Esta mensagem foi removida pelo autor.
"apaga-te porque desapareceu em mim o espaço que era teu" :)
Que bom ler-te, que bom ter tantos textos teus por ler, para ler :)
Voltei ao meu castelo e aos caminhos que gosto de percorrer para te visitar. Agora vou voltar muitas vezes e pôr a leitura e a escrita em dia!
Um beijo, João.
Tão forte, tão genial.
Gostei de te ler ;)
Se o padrão se mantiver, está na altura de escreveres mais qualquer coisa. Setembro está a chegar ao fim. Beijos.
Fabuloso, meu caro.
F A B U L O S O.
Parabéns pela sensibilidade!
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