Sexta-feira, Julho 13, 2007

x.

apaga.te. quando já não conseguires morar no lugar onde estás. quando já não tiveres desculpas para pedir. apaga.te. quando estiveres cansado de desculpar. quando a noite já estiver deitada sobre a ombreira da porta. do lugar onde moras. aquele lugar que te esgota. apaga.te. quando olhares nas paredes. todos os poemas sentados na tua cabeça. quando já não sentires a dormência dos dedos. sobre a folha de papel. a escrever cartas. para o lugar. cinzento do mar. apaga.te. se a cor da tua pele. esconder a palidez do sangue que te corre nas veias. e que brota do esqueleto vivo. do teu coração frio. apaga.te. se estiver tudo calmo naquele dia. de sexta.feira. a tornar inúteis todos os outros dias. de cansaço. todos os outros dias onde trabalhaste as mãos. no barro. e na terra. no lugar. cinzento do mar. a cama gelada que dormimos. apaga.te. se não sentires frio. e o giz que desenhaste na ardósia das tuas costas. falar sobre o amor. que deixaste no esquecimento. de ti. quando te apagaste. a luz. de ti. a cor. de ti. o negro de ti. a frieza de ti. a loucura. de ti e o nunca de ti. e a paixão de ti. sobre a carne tocada. apaga.te. se não souberes o significado das coisas mortas. e porque partem para dentro. delas. a voz. o suor. a saliva. a boca e o beijo. a dor. e a eternidade do corpo. que fica. no lugar cinzento do mar.

e o não. que não se sabe dizer. e a boca que não se sabe falar. e as pernas que não se sabem mexer. e andar. sobre o xisto que nasce da terra. sobre o cinzento. que já não há no lugar do mar.

x. de xisto.