Quinta-feira, Outubro 23, 2008

sem nome e póstumo.

pegou-lhe na mão. estava insaciável a contar os passos do andar. os pés calcavam a terra à procura de luz. e na terra não há luz. quando um diabo dorme a morder-lhe o coração. engasgavam-se no caminho. com a mão. na mão dura. e apressada. que com o tempo. já não se via mão alguma. apenas um traço.

um traço. a cortar o horizonte. do lado de onde o sol se põe e não se ouve o silêncio. apenas o interior do coração que dorme na terra.

e as árvores que dormem no vento. trazem as palavras cinzentas nos ramos. e as folhas que caem. falam de um traço violento. a dividir o horizonte. a quebrar o silêncio. a quebrar a terra. e a acordar um diabo que dorme. e que não sabe a cor de um coração dentro de um vaso a fazer crescer uma flor.

(não crescem flores quando a terra gela.)

2 Comments:

Blogger Brida said...

não batem corações quando as mãos se "entraçam".

(e acho incrivel brotarem palavras de um mundo assim)

Beijo

Segunda-feira, Outubro 27, 2008  
Blogger Morgana La Folle said...

Muito bonito, João.

A flor mais resistente é a beladona.

Um beijo grande. E saudades.

Sábado, Novembro 29, 2008  

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