Domingo, Dezembro 14, 2008

há. (incompleto. e resignado).

há de noite uma voz que diz baixinho o teu nome. e com ela. deus consegue encontrar o lugar certo das coisas. uma tempestade. entornando-se sobre o chão. o chão engasgado pela tormenta. uma mão a balançar-se num adeus. e a chuva castigando o corpo a despedir-se. uma luz azul. num relâmpago a fugir de ti. e um momento cansado a esconder-se do frio que sai da tua boca. a dizer o meu nome. há de noite. uma voz que diz baixinho o teu nome. e com ela. deus consegue encontrar o lugar certo das coisas. um pedaço de papel rascunhado sobre o nosso encontro. e um comboio a escapar-se no horizonte. um sol despegado a colorir o céu. tardio. e a imensidão do céu. derramada sobre o lastro daquele comboio. um passageiro a roubar as fagulhas de uma vida por inteiro. envolvido. na bruma da velocidade discreta do caminho. que sabe que nasceu de dentro de uma barriga quente. e de um vaso de terra. em carne feita. e não sabe mais nada. sobre deus. há um silêncio. e sobre deus. quase tudo anda perdido nas mãos. um mar a comer a terra. e a terra engolida por um mar clandestino. há de noite. uma voz que diz baixinho o teu nome. e com ela. deus consegue encontrar o lugar certo das coisas. onde os teus pés assentam. na argila que se fez vaso e da fagulha. que se fez fogueira. que ilumina todos os ruídos vindos do fundo da terra. abandonada. e onde. hoje. crescem flores. ponto. reticências. levo-te uma. ponto. reticências. para pôres no teu cabelo escurecido pela sombra das minhas mãos. hoje. que te beijo na fronte e sabes ao sal. que o mar deixou no vento. sabes. a amor. a arder no coração. sabes ao acordeon do início da nossa música. e ao acorde gasto do mi. quando a canção diz. aspas. amor. devias ter vindo. aspas. sabes ao beijo da fotografia. à noite na praia a ver as pessoas a passar. e o sol a pôr-se. para lá de tudo. voltamos lá todos os anos. voltamos lá sempre. há de noite uma voz que diz baixinho o teu nome. e com ela deus consegue encontrar o lugar certo das coisas. e um silêncio a ferver.