Segunda-feira, Março 15, 2010

vago. ao lado.

roubei-te aos bocados. eras corpo a mais. dentro de duas mãos. eras corpo a mais. e lábios a mais. e olhos a mais. e beijos a mais. eras tanto. para duas mãos tão pequenas. eras mais que um sol. nem mar. nem terra. chegavam. eras o papel da carta demorada ler. e a parte que enrola na ponta dos dedos. e que engasga na forma das letras. os olhos e garganta seca. eras mais do que as velas. de um moinho também. a girar. eras tanto. e por isso. fui trazendo um bocado de ti. cada vez. que te via. eras tanto para duas mãos tão pequenas. eras um abraço só. e um abraço carregado. um ombro fechado num rosto. e um rosto fechado sobre o braço. imóvel. hoje trouxe o cantinho de ti. reservado à luz. amanhã. trago a peça. que permite encontrar a tua voz. encolhida quando estás quase a dormir. e depois. depois logo se vê. as mãos não chegam para tanto de ti. se olhasse o céu. saberia como te encontrar em cada parte branca. em cada pássaro. em cada estrela. em cada parte somada de chuva. e mesmo assim. não existem tantos pássaros no céu. tantas nuvens a escorrer da tela e estrelas. são o plural do que ainda não trouxe ti. as luzes fundidas do mundo. que não chegam para te percorrer. o corpo. amassado ao meu desnorte. em te contar. em te medir. e partir e subtrair e resgatar. ao mar. e à terra. ao céu. e ao que sobra de tantas letras e palavras por escrever. sobre ti.

1 Comments:

Anonymous Anónimo said...

Passados um ano e uns meses...cresceste tanto...
Como essas mãos em que não cabem as coisas e no final transportam tudo. As tuas são imensas.
:)

Elisabete

Terça-feira, Março 16, 2010  

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