i.r.reparável.
vivia atrasado ao tempo. aos dias. às noites. longas. que suspendiam a luz. por entre os cândeeiros da rua. e a rua. gemia. pessoas. a entrar e a sair das casas. o frio. colhia-lhes nos rostos. o calor do sangue. que ainda nos corre no corpo. era tudo intocável. o motor. emperrado. cansado. velho e amargo. que faz brilhar os sorrisos nos lábios. de todos nós. moía palavras doces e gestos acabados de fazer. beijos a marcar as faces e cabelos a soltarem-se ao vento. e tudo se via. e se olhava e lia. os cartazes nas paredes. as luzes nas janelas. as poças de chuva nos buracos da estrada. os carros a empurrarem-se. até ao fim. que não acaba.
aquele fim. onde quando a luz se fecha. e a penumbra dorme. sobre nós. aquele frio. derramado e vivo. que nunca se acaba aqui. onde as nossas mãos se fecham uma na outra. e tudo. é irreparável. porque nunca se estragou. nem por ausência. nem por vontade.
podia. tocar o fundo de tudo o que se esconde por debaixo dos meus pés. e saberia para sempre que nunca poderia reparar o tempo. que não te vi. que não te beijei. que não te olhei. que não te toquei. que não te bebi. que não te cuidei. que não te ri. que não te levei a ver esta rua. e te encolhi nos meus braços.
um abraço.
um santo. natal. a todos.
vivia atrasado ao tempo. aos dias. às noites. longas. que suspendiam a luz. por entre os cândeeiros da rua. e a rua. gemia. pessoas. a entrar e a sair das casas. o frio. colhia-lhes nos rostos. o calor do sangue. que ainda nos corre no corpo. era tudo intocável. o motor. emperrado. cansado. velho e amargo. que faz brilhar os sorrisos nos lábios. de todos nós. moía palavras doces e gestos acabados de fazer. beijos a marcar as faces e cabelos a soltarem-se ao vento. e tudo se via. e se olhava e lia. os cartazes nas paredes. as luzes nas janelas. as poças de chuva nos buracos da estrada. os carros a empurrarem-se. até ao fim. que não acaba.
aquele fim. onde quando a luz se fecha. e a penumbra dorme. sobre nós. aquele frio. derramado e vivo. que nunca se acaba aqui. onde as nossas mãos se fecham uma na outra. e tudo. é irreparável. porque nunca se estragou. nem por ausência. nem por vontade.
podia. tocar o fundo de tudo o que se esconde por debaixo dos meus pés. e saberia para sempre que nunca poderia reparar o tempo. que não te vi. que não te beijei. que não te olhei. que não te toquei. que não te bebi. que não te cuidei. que não te ri. que não te levei a ver esta rua. e te encolhi nos meus braços.
um abraço.
um santo. natal. a todos.

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