Quinta-feira, Junho 02, 2011

e vai.

descalço, com a terra a servir de luva nos pés.
e o chão cansado de ressuscitar tantos caminhos.

e sobre a pele, sobre o mundo, como um fado sem mar e sem xaile
daquela alma ausente do corpo.

e vai. tu.
como se fosses invisível, divisível, por entre os pequenos espaços.
entre as paredes de corpos e das gentes, das roupas que se encolhem.
da sola dos teus pés que se enfia por debaixo das pedras do chão.

e vai. tu.
como se a rua e a multidão, e os prédios, e o mar,
e a ponte ao longe fossem desaparecer
e entornar-se como água sobre a memória.

e vai. tu.
como se a voz por dentro fosse muda,
não se ouvisse, não se dissesse - nem uma só palavra.


e vai embalado. pelo sorriso que não sabe mentir.
como se fosses o nome de todas as pessoas, de todos os rostos.
a cor de todos os olhos
e o negro da noite.


e vai, como se fosses resgatar a onda ao mar, à lucidez e à luz
em que tu, já não existes.


maio.2010.

2 Comments:

Anonymous Anónimo said...

Lindissimo... :)

Quarta-feira, Junho 08, 2011  
Anonymous Anónimo said...

Lindissimo... :)

Quarta-feira, Junho 08, 2011  

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