há de noite uma voz que diz baixinho o teu nome. e com ela. deus consegue encontrar o lugar certo das coisas. uma tempestade. entornando-se sobre o chão. o chão engasgado pela tormenta. uma mão a balançar-se num adeus. e a chuva castigando o corpo a despedir-se. uma luz azul. num relâmpago a fugir de ti. e um momento cansado a esconder-se do frio que sai da tua boca. a dizer o meu nome. há de noite. uma voz que diz baixinho o teu nome. e com ela. deus consegue encontrar o lugar certo das coisas. um pedaço de papel rascunhado sobre o nosso encontro. e um comboio a escapar-se no horizonte. um sol despegado a colorir o céu. tardio. e a imensidão do céu. derramada sobre o lastro daquele comboio. um passageiro a roubar as fagulhas de uma vida por inteiro. envolvido. na bruma da velocidade discreta do caminho. que sabe que nasceu de dentro de uma barriga quente. e de um vaso de terra. em carne feita. e não sabe mais nada. sobre deus. há um silêncio. e sobre deus. quase tudo anda perdido nas mãos. um mar a comer a terra. e a terra engolida por um mar clandestino. há de noite. uma voz que diz baixinho o teu nome. e com ela. deus consegue encontrar o lugar certo das coisas. onde os teus pés assentam. na argila que se fez vaso e da fagulha. que se fez fogueira. que ilumina todos os ruídos vindos do fundo da terra. abandonada. e onde. hoje. crescem flores. ponto. reticências. levo-te uma. ponto. reticências. para pôres no teu cabelo escurecido pela sombra das minhas mãos. hoje. que te beijo na fronte e sabes ao sal. que o mar deixou no vento. sabes. a amor. a arder no coração. sabes ao acordeon do início da nossa música. e ao acorde gasto do mi. quando a canção diz. aspas. amor. devias ter vindo. aspas. sabes ao beijo da fotografia. à noite na praia a ver as pessoas a passar. e o sol a pôr-se. para lá de tudo. voltamos lá todos os anos. voltamos lá sempre. há de noite uma voz que diz baixinho o teu nome. e com ela deus consegue encontrar o lugar certo das coisas. e um silêncio a ferver.
Domingo, Dezembro 14, 2008
há. (incompleto. e resignado).
há de noite uma voz que diz baixinho o teu nome. e com ela. deus consegue encontrar o lugar certo das coisas. uma tempestade. entornando-se sobre o chão. o chão engasgado pela tormenta. uma mão a balançar-se num adeus. e a chuva castigando o corpo a despedir-se. uma luz azul. num relâmpago a fugir de ti. e um momento cansado a esconder-se do frio que sai da tua boca. a dizer o meu nome. há de noite. uma voz que diz baixinho o teu nome. e com ela. deus consegue encontrar o lugar certo das coisas. um pedaço de papel rascunhado sobre o nosso encontro. e um comboio a escapar-se no horizonte. um sol despegado a colorir o céu. tardio. e a imensidão do céu. derramada sobre o lastro daquele comboio. um passageiro a roubar as fagulhas de uma vida por inteiro. envolvido. na bruma da velocidade discreta do caminho. que sabe que nasceu de dentro de uma barriga quente. e de um vaso de terra. em carne feita. e não sabe mais nada. sobre deus. há um silêncio. e sobre deus. quase tudo anda perdido nas mãos. um mar a comer a terra. e a terra engolida por um mar clandestino. há de noite. uma voz que diz baixinho o teu nome. e com ela. deus consegue encontrar o lugar certo das coisas. onde os teus pés assentam. na argila que se fez vaso e da fagulha. que se fez fogueira. que ilumina todos os ruídos vindos do fundo da terra. abandonada. e onde. hoje. crescem flores. ponto. reticências. levo-te uma. ponto. reticências. para pôres no teu cabelo escurecido pela sombra das minhas mãos. hoje. que te beijo na fronte e sabes ao sal. que o mar deixou no vento. sabes. a amor. a arder no coração. sabes ao acordeon do início da nossa música. e ao acorde gasto do mi. quando a canção diz. aspas. amor. devias ter vindo. aspas. sabes ao beijo da fotografia. à noite na praia a ver as pessoas a passar. e o sol a pôr-se. para lá de tudo. voltamos lá todos os anos. voltamos lá sempre. há de noite uma voz que diz baixinho o teu nome. e com ela deus consegue encontrar o lugar certo das coisas. e um silêncio a ferver.
há de noite uma voz que diz baixinho o teu nome. e com ela. deus consegue encontrar o lugar certo das coisas. uma tempestade. entornando-se sobre o chão. o chão engasgado pela tormenta. uma mão a balançar-se num adeus. e a chuva castigando o corpo a despedir-se. uma luz azul. num relâmpago a fugir de ti. e um momento cansado a esconder-se do frio que sai da tua boca. a dizer o meu nome. há de noite. uma voz que diz baixinho o teu nome. e com ela. deus consegue encontrar o lugar certo das coisas. um pedaço de papel rascunhado sobre o nosso encontro. e um comboio a escapar-se no horizonte. um sol despegado a colorir o céu. tardio. e a imensidão do céu. derramada sobre o lastro daquele comboio. um passageiro a roubar as fagulhas de uma vida por inteiro. envolvido. na bruma da velocidade discreta do caminho. que sabe que nasceu de dentro de uma barriga quente. e de um vaso de terra. em carne feita. e não sabe mais nada. sobre deus. há um silêncio. e sobre deus. quase tudo anda perdido nas mãos. um mar a comer a terra. e a terra engolida por um mar clandestino. há de noite. uma voz que diz baixinho o teu nome. e com ela. deus consegue encontrar o lugar certo das coisas. onde os teus pés assentam. na argila que se fez vaso e da fagulha. que se fez fogueira. que ilumina todos os ruídos vindos do fundo da terra. abandonada. e onde. hoje. crescem flores. ponto. reticências. levo-te uma. ponto. reticências. para pôres no teu cabelo escurecido pela sombra das minhas mãos. hoje. que te beijo na fronte e sabes ao sal. que o mar deixou no vento. sabes. a amor. a arder no coração. sabes ao acordeon do início da nossa música. e ao acorde gasto do mi. quando a canção diz. aspas. amor. devias ter vindo. aspas. sabes ao beijo da fotografia. à noite na praia a ver as pessoas a passar. e o sol a pôr-se. para lá de tudo. voltamos lá todos os anos. voltamos lá sempre. há de noite uma voz que diz baixinho o teu nome. e com ela deus consegue encontrar o lugar certo das coisas. e um silêncio a ferver.
Quinta-feira, Outubro 23, 2008
sem nome e póstumo.
pegou-lhe na mão. estava insaciável a contar os passos do andar. os pés calcavam a terra à procura de luz. e na terra não há luz. quando um diabo dorme a morder-lhe o coração. engasgavam-se no caminho. com a mão. na mão dura. e apressada. que com o tempo. já não se via mão alguma. apenas um traço.
um traço. a cortar o horizonte. do lado de onde o sol se põe e não se ouve o silêncio. apenas o interior do coração que dorme na terra.
e as árvores que dormem no vento. trazem as palavras cinzentas nos ramos. e as folhas que caem. falam de um traço violento. a dividir o horizonte. a quebrar o silêncio. a quebrar a terra. e a acordar um diabo que dorme. e que não sabe a cor de um coração dentro de um vaso a fazer crescer uma flor.
(não crescem flores quando a terra gela.)
pegou-lhe na mão. estava insaciável a contar os passos do andar. os pés calcavam a terra à procura de luz. e na terra não há luz. quando um diabo dorme a morder-lhe o coração. engasgavam-se no caminho. com a mão. na mão dura. e apressada. que com o tempo. já não se via mão alguma. apenas um traço.
um traço. a cortar o horizonte. do lado de onde o sol se põe e não se ouve o silêncio. apenas o interior do coração que dorme na terra.
e as árvores que dormem no vento. trazem as palavras cinzentas nos ramos. e as folhas que caem. falam de um traço violento. a dividir o horizonte. a quebrar o silêncio. a quebrar a terra. e a acordar um diabo que dorme. e que não sabe a cor de um coração dentro de um vaso a fazer crescer uma flor.
(não crescem flores quando a terra gela.)
Quarta-feira, Julho 23, 2008
Podias.
tenho a fome dentro do peito. que não come há dez dias. vendo todas as paredes que circundam o céu. a preço de saldos. compro maçãs a amadurecer. por dentro. e a vermelhar. por fora. estendo as mãos e alcanço os baloiços das folhas nas árvores. corro até me cansar. até os pés gastarem o chão. conto as palavras que digo durante uma hora em silêncio a conversar contigo sobre os olhos. engasgo-me com a tinta negra e cheiro do papel velho e húmido. a ler os jornais. volto-me e vejo-te. espero que tudo acabe bem antes de me ir embora. volto-me e sossego as tripas. coço a cabeça e despenteio-me. sabe bem. ouvir-lhe os dedos. sabe bem andar a assobiar nas ruas e a ver os carros a passar. dou um punhado de notas sujas. falsas como o vento. a um homem numa esquina cinzenta. escondo-me do seu olhar. sabe bem. não saber sorrir. hoje. quebro-me com o calor. subo as escadas que me levam até à tua porta e não consigo ouvir-te a chamar por mim. lá dentro. da tua casa. vendo fechaduras para o coração. e dou as chaves. conjunto completo e sincero. tenho a penumbra de um dia. a correr. e o pó. sobre as janelas abertas ao vento. tenho luzes que não se acendem e corredores estreitos que não chegam a lado algum. e tudo dentro de uma só mão. que espero que nunca se abra. gosto de ractificar com a honestidade com que conheço. o que não é visível e de folhear os livros já lidos. à procura de finais felizes. já li. já vi. já senti. espero que tudo acabe bem antes de me ir embora. e antes de voltar. espero que tenhas forma e sentido. luz e um pedaço macabro de ausência embrulhado em roupa vestida. podias. ao menos acordar-me.
tenho a fome dentro do peito. que não come há dez dias. vendo todas as paredes que circundam o céu. a preço de saldos. compro maçãs a amadurecer. por dentro. e a vermelhar. por fora. estendo as mãos e alcanço os baloiços das folhas nas árvores. corro até me cansar. até os pés gastarem o chão. conto as palavras que digo durante uma hora em silêncio a conversar contigo sobre os olhos. engasgo-me com a tinta negra e cheiro do papel velho e húmido. a ler os jornais. volto-me e vejo-te. espero que tudo acabe bem antes de me ir embora. volto-me e sossego as tripas. coço a cabeça e despenteio-me. sabe bem. ouvir-lhe os dedos. sabe bem andar a assobiar nas ruas e a ver os carros a passar. dou um punhado de notas sujas. falsas como o vento. a um homem numa esquina cinzenta. escondo-me do seu olhar. sabe bem. não saber sorrir. hoje. quebro-me com o calor. subo as escadas que me levam até à tua porta e não consigo ouvir-te a chamar por mim. lá dentro. da tua casa. vendo fechaduras para o coração. e dou as chaves. conjunto completo e sincero. tenho a penumbra de um dia. a correr. e o pó. sobre as janelas abertas ao vento. tenho luzes que não se acendem e corredores estreitos que não chegam a lado algum. e tudo dentro de uma só mão. que espero que nunca se abra. gosto de ractificar com a honestidade com que conheço. o que não é visível e de folhear os livros já lidos. à procura de finais felizes. já li. já vi. já senti. espero que tudo acabe bem antes de me ir embora. e antes de voltar. espero que tenhas forma e sentido. luz e um pedaço macabro de ausência embrulhado em roupa vestida. podias. ao menos acordar-me.
Domingo, Fevereiro 17, 2008
nudez.
tenho a tua mão na minha mão e a mão do olhar invulgar que passa ao lado virando a esquina a desdobrar a pálpebra. no fim. a tua mão faz gestos na minha mão e ajuda-me a ver a quebra de luz que o dia tem. depois do. fim. vou andando olhando o chão e a sentir a tua mão parada sobre a minha mão e não vejo. o fim. tentamos acabar com todas as coisas que me fazem chorar pelo que não tenho e não sei. se devo ao. fim. alguma coisa de mim. e para quê. se traço. na minha mão a tua força e vou escrevendo sobre o fundo do mar. e sobre os teus olhos. a seguir-me líquido e falido. e frio. e o fundo do mar. é tão longe e só. sem fim. e a loucura que tenho e sinto dentro das nossas mãos juntas. a violência discreta e sincera de quem não sabe o que fazer com tanto dentro das mãos. à língua suja e cheia de nós. pelo que deixàmos de falar e de dizer. fogos engolidos. um ao outro. e assim não conseguimos fugir. não há fim. nisto que sentimos. não há fim. nisto. que sentimos.
tenho a nudez. de não saber o que fazer a tanto corpo espalhado sobre todos os quartos desta casa. um corpo. sem fim. sem princípio. sem corpo que se pareça com o nosso corpo. junto. parece que engolimos um fantasma que sabe todas as moradas dentro de nós. os seus dedos longos e bicudos escutam as nossas falhadas promessas que já não dizemos. um ao outro. a ninguém. não há. silêncio para tanto corpo. e juntos. apesar de vermos o sol pela mesma janela e pelo mesmo. som. não sabemos o fim ao resto.
não te transformes em flores cujo as cores que não sabes dizer.
tenho a tua mão na minha mão e a mão do olhar invulgar que passa ao lado virando a esquina a desdobrar a pálpebra. no fim. a tua mão faz gestos na minha mão e ajuda-me a ver a quebra de luz que o dia tem. depois do. fim. vou andando olhando o chão e a sentir a tua mão parada sobre a minha mão e não vejo. o fim. tentamos acabar com todas as coisas que me fazem chorar pelo que não tenho e não sei. se devo ao. fim. alguma coisa de mim. e para quê. se traço. na minha mão a tua força e vou escrevendo sobre o fundo do mar. e sobre os teus olhos. a seguir-me líquido e falido. e frio. e o fundo do mar. é tão longe e só. sem fim. e a loucura que tenho e sinto dentro das nossas mãos juntas. a violência discreta e sincera de quem não sabe o que fazer com tanto dentro das mãos. à língua suja e cheia de nós. pelo que deixàmos de falar e de dizer. fogos engolidos. um ao outro. e assim não conseguimos fugir. não há fim. nisto que sentimos. não há fim. nisto. que sentimos.
tenho a nudez. de não saber o que fazer a tanto corpo espalhado sobre todos os quartos desta casa. um corpo. sem fim. sem princípio. sem corpo que se pareça com o nosso corpo. junto. parece que engolimos um fantasma que sabe todas as moradas dentro de nós. os seus dedos longos e bicudos escutam as nossas falhadas promessas que já não dizemos. um ao outro. a ninguém. não há. silêncio para tanto corpo. e juntos. apesar de vermos o sol pela mesma janela e pelo mesmo. som. não sabemos o fim ao resto.
não te transformes em flores cujo as cores que não sabes dizer.
Quinta-feira, Agosto 30, 2007
z.
levanta-te. mexe no cabelo. repete o gesto e volta-te. o céu é uma parte das mãos. o plástico duro da fronte do vento. cobre uma parte. da sombra que se recolhe no chão. assenta então. os pés. encolhe os dedos. sente a temperatura da água. embrulhada na terra. nas flores. as pedras que já souberam o nome do seu lugar. envelheceram na palavra. e debaixo de ti. mastiga-se a vida.se soubesses de mim. e por onde andei. repito. a sensação de te perguntar. se soubesses de mim e por onde andei.respondo com a avidez dos tolos. e da loucura. poupada à multidão. a correr lentamente na retina. e a decorar as faces desconhecidas. para se falar. ao nosso amor. que andei à tua procura. e num minuto de vagar. entrámos os dois no mesmo tempo. tal qual uma fogueira de mãos.
falo-te. no plural das coisas.
que os dedos. não vivem sós. nas mãos. e os olhos. cegos. dentro dos ouvidos. surdos. as pedras. lentas. que estremecem sobre as pernas. que rasgam os caminhos. nas viagens. contadas. nas vidas. amarradas. e nos desejos. e nos amores. as partidas. adiadas. e em cima da hora. à justa. os abandonos. por falta ou excesso. as queimaduras. pelo adiantar da hora. a dar um beijo. as falhas. na carne e os dentes a mastigar. as queixas. de tanto sorrirmos. e os papéis. que escrevemos a falar sobre todas as coisas. que vimos. num só dia. todas as conversas gravadas na língua. a tocar. dentro da cabeça. as recordações. as memórias dos gestos lavados. pela bruma.
e dar-te tudo.
era. muito pouco. e assim se fecha. um só. ruído.
z. de zunir.
levanta-te. mexe no cabelo. repete o gesto e volta-te. o céu é uma parte das mãos. o plástico duro da fronte do vento. cobre uma parte. da sombra que se recolhe no chão. assenta então. os pés. encolhe os dedos. sente a temperatura da água. embrulhada na terra. nas flores. as pedras que já souberam o nome do seu lugar. envelheceram na palavra. e debaixo de ti. mastiga-se a vida.se soubesses de mim. e por onde andei. repito. a sensação de te perguntar. se soubesses de mim e por onde andei.respondo com a avidez dos tolos. e da loucura. poupada à multidão. a correr lentamente na retina. e a decorar as faces desconhecidas. para se falar. ao nosso amor. que andei à tua procura. e num minuto de vagar. entrámos os dois no mesmo tempo. tal qual uma fogueira de mãos.
falo-te. no plural das coisas.
que os dedos. não vivem sós. nas mãos. e os olhos. cegos. dentro dos ouvidos. surdos. as pedras. lentas. que estremecem sobre as pernas. que rasgam os caminhos. nas viagens. contadas. nas vidas. amarradas. e nos desejos. e nos amores. as partidas. adiadas. e em cima da hora. à justa. os abandonos. por falta ou excesso. as queimaduras. pelo adiantar da hora. a dar um beijo. as falhas. na carne e os dentes a mastigar. as queixas. de tanto sorrirmos. e os papéis. que escrevemos a falar sobre todas as coisas. que vimos. num só dia. todas as conversas gravadas na língua. a tocar. dentro da cabeça. as recordações. as memórias dos gestos lavados. pela bruma.
e dar-te tudo.
era. muito pouco. e assim se fecha. um só. ruído.
z. de zunir.
Sexta-feira, Julho 13, 2007
x.
apaga.te. quando já não conseguires morar no lugar onde estás. quando já não tiveres desculpas para pedir. apaga.te. quando estiveres cansado de desculpar. quando a noite já estiver deitada sobre a ombreira da porta. do lugar onde moras. aquele lugar que te esgota. apaga.te. quando olhares nas paredes. todos os poemas sentados na tua cabeça. quando já não sentires a dormência dos dedos. sobre a folha de papel. a escrever cartas. para o lugar. cinzento do mar. apaga.te. se a cor da tua pele. esconder a palidez do sangue que te corre nas veias. e que brota do esqueleto vivo. do teu coração frio. apaga.te. se estiver tudo calmo naquele dia. de sexta.feira. a tornar inúteis todos os outros dias. de cansaço. todos os outros dias onde trabalhaste as mãos. no barro. e na terra. no lugar. cinzento do mar. a cama gelada que dormimos. apaga.te. se não sentires frio. e o giz que desenhaste na ardósia das tuas costas. falar sobre o amor. que deixaste no esquecimento. de ti. quando te apagaste. a luz. de ti. a cor. de ti. o negro de ti. a frieza de ti. a loucura. de ti e o nunca de ti. e a paixão de ti. sobre a carne tocada. apaga.te. se não souberes o significado das coisas mortas. e porque partem para dentro. delas. a voz. o suor. a saliva. a boca e o beijo. a dor. e a eternidade do corpo. que fica. no lugar cinzento do mar.
e o não. que não se sabe dizer. e a boca que não se sabe falar. e as pernas que não se sabem mexer. e andar. sobre o xisto que nasce da terra. sobre o cinzento. que já não há no lugar do mar.
x. de xisto.
apaga.te. quando já não conseguires morar no lugar onde estás. quando já não tiveres desculpas para pedir. apaga.te. quando estiveres cansado de desculpar. quando a noite já estiver deitada sobre a ombreira da porta. do lugar onde moras. aquele lugar que te esgota. apaga.te. quando olhares nas paredes. todos os poemas sentados na tua cabeça. quando já não sentires a dormência dos dedos. sobre a folha de papel. a escrever cartas. para o lugar. cinzento do mar. apaga.te. se a cor da tua pele. esconder a palidez do sangue que te corre nas veias. e que brota do esqueleto vivo. do teu coração frio. apaga.te. se estiver tudo calmo naquele dia. de sexta.feira. a tornar inúteis todos os outros dias. de cansaço. todos os outros dias onde trabalhaste as mãos. no barro. e na terra. no lugar. cinzento do mar. a cama gelada que dormimos. apaga.te. se não sentires frio. e o giz que desenhaste na ardósia das tuas costas. falar sobre o amor. que deixaste no esquecimento. de ti. quando te apagaste. a luz. de ti. a cor. de ti. o negro de ti. a frieza de ti. a loucura. de ti e o nunca de ti. e a paixão de ti. sobre a carne tocada. apaga.te. se não souberes o significado das coisas mortas. e porque partem para dentro. delas. a voz. o suor. a saliva. a boca e o beijo. a dor. e a eternidade do corpo. que fica. no lugar cinzento do mar.
e o não. que não se sabe dizer. e a boca que não se sabe falar. e as pernas que não se sabem mexer. e andar. sobre o xisto que nasce da terra. sobre o cinzento. que já não há no lugar do mar.
x. de xisto.
Quinta-feira, Maio 03, 2007
v.
perguntei-te. se sabias secar feridas. tal qual o sol. faz secar a água nas pedras das ruas. e das varandas. disseste-me que era tarde para falarmos de coisas que obedecem à fé das mãos e das palavras. e viraste-te para o outro lado. onde os morcegos já teciam a escuridão.
assim. deixei-me ficar. a olhar o tecto negro que se compunham por cima do meu corpo. quente. ao lado do teu. a esmorecer na ventania do sono. pensei. como podiam as mãos dedicar-se ao luto de uma ferida e ao trânsito do sangue. parado. à espera. como podiam as palavras terminar a angústia da carne. e do ventre quase vermelho. quase negro. a sussurrar. a demolição do ar no peito. a respirar.
pedi então. que me deixasses olhar-te por dentro a dormir. disseste-me que não se pode espreitar para dentro do corpo. quando este é roubado e diluído num mar. disseste-me. que não se pode ver o que já não existe. o que partiu. o que foi desfeito. o que é salgado e se esvai na água e o que é tocado pela saudade. e pelo amor.
dentro do teu corpo. não existia nada. disseste-me. em voz escrita pelos lábios a falar debaixo do mundo. e a boca a beijar-me a face vermelha. e em afecto contido. as minhas mãos. abriram-se para pegar-te. nas pernas. e as enrolar à volta do meu tronco. solto.
juntos. apagaste a luz daquele quarto. iluminado por nós. e foste morar em mim.
v. de vazio.
perguntei-te. se sabias secar feridas. tal qual o sol. faz secar a água nas pedras das ruas. e das varandas. disseste-me que era tarde para falarmos de coisas que obedecem à fé das mãos e das palavras. e viraste-te para o outro lado. onde os morcegos já teciam a escuridão.
assim. deixei-me ficar. a olhar o tecto negro que se compunham por cima do meu corpo. quente. ao lado do teu. a esmorecer na ventania do sono. pensei. como podiam as mãos dedicar-se ao luto de uma ferida e ao trânsito do sangue. parado. à espera. como podiam as palavras terminar a angústia da carne. e do ventre quase vermelho. quase negro. a sussurrar. a demolição do ar no peito. a respirar.
pedi então. que me deixasses olhar-te por dentro a dormir. disseste-me que não se pode espreitar para dentro do corpo. quando este é roubado e diluído num mar. disseste-me. que não se pode ver o que já não existe. o que partiu. o que foi desfeito. o que é salgado e se esvai na água e o que é tocado pela saudade. e pelo amor.
dentro do teu corpo. não existia nada. disseste-me. em voz escrita pelos lábios a falar debaixo do mundo. e a boca a beijar-me a face vermelha. e em afecto contido. as minhas mãos. abriram-se para pegar-te. nas pernas. e as enrolar à volta do meu tronco. solto.
juntos. apagaste a luz daquele quarto. iluminado por nós. e foste morar em mim.
v. de vazio.
